O bem, o mal e o cosmos
Atualizado: há 3 dias
“O bem verte, puro, de Deus, enquanto o mal é obra que nos pertence” Emmanuel (Responsabilidade e Destino na obra Religião dos Espíritos) “Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?” Paulo (Co 5:6)
O ser humano não foi criado para viver isolado, mas para interagir na sociedade, para conviver na família e nos grupos que se formam. Por decorrência, é no encontro e na atrição social que nossas palavras e nossos atos constituem sempre núcleo de influência para o bem ou para o mal, observado por quantos nos seguem. Por isso, é necessário saber que tipo de forças estamos projetando naqueles que nos cercam.
Via de regra, sabe-se que o mal tem a capacidade de ser mais notado do que o bem, porque enquanto este é silencioso, quieto, feito sem alarde, aquele é escandaloso, mais vidente, toma parte no noticiário e muita gente quer conhecê-lo, seja porque ainda causa curiosidade ou porque reflete adesão por concordância própria.
Ainda em nosso tempo, o mal ocupa um bom espaço e se espraia, facilmente, nas telas mentais das sociedades. Não obstante, observamos também muitos movimentos e iniciativas direcionadas ao bem, em diferentes áreas da atividade humana, neste limiar do Terceiro Milênio. É no seu caminhar que os indivíduos acabam por fermentar cada lado, sendo responsáveis por expandir um e conter o outro. O bem ou o mal se alastram por pequenos gestos. No dizer de Paulo: “um pouco de fermento leveda a massa toda”.
Nos dias atuais, precisamos ficar atentos para não sermos instrumentos de repasse de matéria que fermente o mal. Desde a antiguidade remota, a maledicência tem sido uma ferramenta pela qual o mal se espalha com alguma fluidez. Nesse sentido e no caminhar do tempo, tiveram significância o noticiário escrito, a era do rádio e a da televisão. Hoje, porém, dispomos de tecnologias avançadas que colocam, em tempo real, qualquer informação na palma da mão, com capacidade de compartilhamento imediato, para o bem ou para o mal. Está claro que a humanidade tem desfrutado de melhores condições de vida por conta do processo científico-tecnológico em voga, mas em tudo está o homem à frente com o que vai em seu coração.
As redes sociais fazem parte dessa modernidade. Apesar de facilitarem a comunicação interpessoal, movimentando com rapidez imagem, som e palavra escrita, têm sido instrumento que possibilitou o surgimento da denominada “era da pós-verdade”. É a verdade creditada pelo valor emocional de um “post” recebido de pessoa amiga, com afinidade de pensamento, e replicado, multiplicando exponencialmente fato ou mensagem, muitas vezes, equivocada ou enganosa. Não há uma análise objetiva da matéria em si, vale mais a atitude emocional de quem a recebe e sua disposição de disseminá-la acreditando ser uma verdade.
Assim, uma falsa matéria veiculada pode comprometer e mesmo prejudicar pessoas ou instituições, alvo da mensagem.
E por esse trânsito cibernético que se alastra rapidamente, o mal acaba se espargindo, crescendo geometricamente pelo “fermento” representado no dedo de quem aperta, sistematicamente, o “enviar” das chamadas “fake news”.
Em comparação, há quem perceba que o mal de hoje tenha maior fulgor e incomode muito mais as sociedades do que em tempos atrás. Quem sabe se não é a força oculta do bem do nosso tempo que está promovendo o contraste necessário para o mal se projetar? Como se fosse aplicada a “lei da figura e do fundo” da gestalt psicológica, o mal passou a ser visto com mais acintosidade, em primeiro plano, porque o bem como tela de fundo se faz com firme presença.
Lá nos tempos passados, não havia esse contraste gritante que ocorre nos dias atuais e não havia a rápida informação “para o mal ou para o bem”. Parecia que no passado distante, o que era mal, de alguma forma, era admitido e até aceitável pelas sociedades. Hoje, embora continue em ação, e ainda que esteja perambulando com força pela internet, o mal já está sendo retratado e reconhecido, necessariamente, como escândalo.
Por isso, a caminho da “Regeneração”, é fundamental crer um pouco mais no bem e na capacidade da sua multiplicação com a nossa participação. E que não seja apenas pela atuação em redes sociais, mas, principalmente, pelos pequenos gestos do exemplo que cada um pode exercer em cada ramo da atividade humana.
Finalmente, Deus não criou o mal. O mal não existe. O mal como obra do homem é a ausência do bem, que não pode deixar de ser feito. O mal é temporário e sua disseminação não prosperará ao longo do tempo porque todos nós fomos criados para chegar à plenitude. A vida, que nos aguarda, só existe amor e bondade.
A própria natureza, disciplinando o homem pela Lei do Progresso, se encarrega da boa divulgação porque, em verdade e em todos os tempos, o “Cosmos conspira para o bem”.
José Lucas de Silva – Cz 6294



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