Anima & Animus
Atualizado: há 2 dias
“Os espíritos têm sexo? - Não como o entendeis, porque os sexos dependem da constituição orgânica. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos” Questão 200 do Livro dos Espíritos
Já algum tempo, observamos mulheres nas Forças Armadas desempenhando funções que outrora eram só inerentes ao gênero masculino. Por outro lado e da mesmíssima forma, vê-se hoje muitos pais se apropriando do legítimo carinho maternal para com seus filhos, quando no passado algo semelhante era difícil de se configurar.
Tanto o gênero masculino como o gênero feminino constituem passagem de elevada importância no processo evolutivo do ser humano a caminho da plenitude.
No Livro dos Espíritos, Allan Kardec comenta que os espíritos encarnam homem ou mulher porque não têm sexo. Como têm que progredir em tudo, cada sexo como cada posição social oferecem-lhes provas e deveres especiais. Aquele que fosse sempre homem só saberia o que sabem os homens. Assim, o espírito que animou o corpo de um homem pode animar o de uma mulher numa nova existência e vive e versa.
Portanto, as virtudes masculinas e as virtudes femininas fazem parte das conquistas do ser imortal. Externá-las é demonstração do processo evolutivo presente, como é possível identificar em muitos dos seres encarnados.
Não se trata de determinadas patologias ou de algumas provações como o que ocorre em almas que encarnam com um corpo psicológico de um sexo e com um corpo físico de outro, gerando, muitas vezes, transtornos sociais os mais diversos (seria assunto para outras considerações).
Assim, como recebemos um corpo físico em nossas encarnações, recebemos também um corpo psicológico (que traz consigo o Ego para a interação com a vida atual), com possibilidades de emergir do inconsciente passado suas conquistas como ser eterno (conquistas de vidas masculinas e de vidas femininas).
Carl Gustav Yung (1875 - 1961) criou as expressões Anima (alma), para significar o lado feminino presente no inconsciente do homem e Animus (alma racional) para significar o lado masculino presente no inconsciente da mulher, como sendo o arquétipo que representa as estruturas psíquicas do homem e da mulher, respectivamente.
Na sua trajetória, os espíritos necessitam conquistar todas as virtudes e desenvolver todas as potencialidades positivas dos dois sexos. O homem se caracteriza mais pela racionalidade, objetividade, decisão, senso de direção, aptidão para encarar desafios, firmeza, competição, iniciativa, autoconfiança… A mulher se caracteriza pela emotividade, intuição, sentimento, percepção, sexto sentido, destreza em interações sociais, importa-se com o cuidado alheio, é compassiva, prestativa, gentil…
“O Retorno do Filho Pródigo” é um óleo sobre tela de 2,50 X 2,00 metros, concluído em 1662, por Rembrandt Van Rijn (1606 - 1669), mestre barroco seiscentista holandês. A obra integra hoje o acervo de um famoso Museu em São Petersburgo, na Rússia. Foi adquirida pela Czarina Catarina no final do século XVIII e é uma das principais atrações daquele Museu.
Esse quadro, que foi uma das últimas obras de Rembrandt, retrata a sublime passagem bíblica do Filho Pródigo que, desventurado por ter saído de casa, implora a seu pai o retorno ao ninho familiar. A tela registra um Pai, simbolizando Deus, repleto de características masculinas (pai severo) e femininas (mãe piedosa), com abraço e olhar generosos a receber o filho maltrapilho, mostrando que o Senhor da Vida acolhe todos os seus filhos que se acham perdidos.
Num só gesto do pai, que estreita o filho em seus braços, é possível identificar também o carinhoso afeto da mãe que acaricia seu filho envolvendo-o com o calor do seu corpo, apertando-o contra o ventre como pudesse oferecer o ninho maternal.
Os traços de Rembrandt mostram a mão esquerda do pai, forte, musculosa e com veias altas, sobre o ombro do filho. Os dedos separados cobrem grande parte do ombro e da espádua do filho. É a mão que acolhe com firmeza e maior vigor. É a mão de um pai... A mão direita desse pai é fina e suave. Os dedos longos, muito elegantes, apoiam ternamente sobre o ombro do filho. É a mão que quer acariciar, ninar, consolar e confortar. É a mão de uma mãe...
É possível apreciar um pai que vê o filho que não está morto, que concede o perdão e que se alegra com seu retorno. É uma atração como se ninguém conseguisse se afastar de Deus.
Rembrandt retrata um pai que recebe seu filho, com atitudes firmes porém generosas. Portanto um Senhor que incorpora o pater e mater. Sem nada saber, talvez Rembrandt foi quem melhor caracterizou a unidade do anima com o animus. Retratou não mais o Deus homem irascível de Israel, mas o Deus que além de Pai, também é Mãe. Retratou a unidade.
Fica o conceito de que cada um de nós precisamos avançar nas qualidades positivas masculinas e femininas para tê-las conosco no processo de evolução. E saber que devemos no autoconhecimento buscar essas qualidades que muitas vezes existem em nós, mas estão escondidas porque o Ego não deseja que elas emerjam do inconsciente.
Por isso, sem desviar de seus deveres, vemos hoje um pai embalando seu bebê, empurrando um carrinho de criança, como vemos uma mãe acordando cedo para o trabalho, trajando sua farda camuflada engomada.
Por sinal, a presença de mulheres nas Forças Armadas trouxe maior sentido de humanização para as Forças.
Cel Ref José Lucas de Silva
Referências:
- Livro dos Espíritos
- Palestra de Divaldo Pereira Franco: “O Filho Pródigo”



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