Mensagem Maurícia 007 de 1958

CRUZADOS DO BRASIL!

          Ao ensejo do transcurso da Semana Maurícia, congratulamo-nos todos, soldados do Brasil, elevando às alturas os nossos pensamentos e as nossas mais puras vibrações de amor fraterno, sentindo ressurgir, na retumbância sonora da apoteose que se nos apresenta dentro do cenário imenso do côncavo páramo aberto da formosa Terra de Santa Cruz, uma legião maravilhosa de mártires do Cristianismo, ao comando do Capitão Maurício, impoluto e ardoroso chefe da Legião Tebana.

          Lá vem eles na vaga infinita de augustas evocações, como a recordar-nos o sacrifício pelo ideal sublime da cruz redentora e fulgurante dos estandartes de Constantino, a imprimir-nos na alma o selo divino do Sublime Pastor, com o qual despertaremos a consciência para evolução e para a humanidade, numa cruzada luminosa e imensa de redenção.

          Renunciemos às glórias e aos prazeres efêmeros do mundo material e arregimentemo-nos, como soldados de Maurício, na comovente peleja a que nos concitam as trombetas de Jericó, anunciando a Nova Era, a fim de que, sob a luz do Evangelho do Cristo, espanquemos as trevas do ódio, da crueldade e do egoísmo humano, repelindo a tentadora estagnação do comodismo e do ócio.

          Sob a inspiração e comando de Maurício, herói e mártir, saibamos infundir em nossos atos o cunho da crença imarcescível  que nos congrega em prol da evangelização do Brasil, na ingente e salvadora tarefa de recuperação que se impõe aos homens de bem, de caráter sólido, de boa vontade, de decisão firme e inquebrantável, como uma questão vital de sobrevivência para o agregado social a que pertencemos, relembrando aquela memorável exortação brotada dos lábios de nosso insigne Patrono e que quiséramos poder merecer:

           ¨Amados Companheiros, o exército cujos homens fossem todos iguais a vós, conquistaria o mundo. Mas os governantes não compreendem que vem da vossa fé a vossa força e o vosso valor; ignoram ainda que à consciência cristã se devem a coragem e a disciplina. Admiro-vos a resignação e dou Graças ao Senhor por haver concedido uma longanimidade ante o martírio, que ultrapassa a vossa mesma intrepidez no combate. Vejo que desejais ter a sorte dos vossos irmãos e seguir-lhes as pegadas, tanto vos inspiram os ensinos do Mestre, de virtude e de respeito à autoridade, os quais vos determinam a não oferecer resistência às imposições do tirano. Tende armas nas mãos e bravura nos corações e bem poderíeis evitar tão bárbara crueldade, impedindo o trucidamento de vossos camaradas e livrando-vos do jugo do opressor. Com essa glória efêmera, porém, os privaríeis da verdadeira, conquistada pelo martírio, por esse sublime sacrifício a que vós mesmos renunciaríeis.

¨Até agora ouvíamos contar a admirável coragem dos primeiros mártires que, pelo amor de Jesus, afrontavam com um sorriso nos lábios os carrascos e as feras dos circos. Hoje, meus irmãos, é a vós próprios que vemos, em exemplo semelhante de como se imola a vida pelo ideal da fé, é nesses corpos sagrados, cujo sangue encharca a terra e nos tinge as vestes, acirrando em nós o desejo de alcançar pelo mesmo caminho idêntico triunfo. Meus amigos, já me parece vê-los, os nossos queridos companheiros, que do Alto nos convidam para sua glória. Ainda há pouco aqui estavam conosco; agora já se encontram no gozo de uma ventura eterna, que nem todos os soberanos da Terra conseguiriam roubar. Sigamos, amados irmãos, sigamos a estrada que eles nos abriram.  Até aqui eles nos acompanharam em nossas vitórias; imitemos-lhes neste momento a generosa conduta, a fim de que possamos participar da sua glória e da sua felicidade.  Tendes sempre mostrado aos Césares a vossa fidelidade e dedicação na defesa do império contra seus inimigos. Servindo a eles obedeceis ao Cristo. Hoje, contudo, Augusto quer fazer-nos renegar o Deus eterno. Pelo dever militar, nossas armas não podem voltar-se contra o imperador;  Deponde-as, em sinal de submissão à sua autoridade. Nossas almas, porém, se acham bafejadas do Espírito Santo; Elevai a Deus o pensamento e, ao tirar o ferro a vida aos vossos corpos, oferecei ao Pai o vosso sacrifício, pela expiação dos verdugos e pelo bem da Pátria. A legião Tebana mantém no transe da morte fidelidade ao Cristo de Deus, como a manteve aos Césares nos transes da vida¨.

Cruzados de Maurício, sejamos legião como obreiros da Seara do Mestre Jesus e prossigamos, sem desfalecimentos, sem que nos intimidem  nem os cardos do caminho, nem os baixios do mar, nem as borrascas do céu, espertando-nos as aptidões, e aviventando-nos as forças para o trabalho profícuo e honesto que nos há de permitir o melhor serviço à causa da Doutrina a que nos devotamos de corpo e alma, na firme decisão das dedicações inflexíveis, a fim de que nossos irmãos alcancem a intimidade da essência divina e, exaustos da longa caminhada entre símbolos e dogmas inúteis, possam beber na fonte da água límpida que é a Doutrina codificada por Allan Kardec – Espiritismo redentor, evangelho da eternidade e do infinito, verdadeira luz no caminho, escancarando-nos os olhos às estrelas.

Cruzados de Maurício, marchemos resolutos, sob as inspirações do Evangelho de Jesus e ao comando do estoico Patrono, para as grandes realizações do presente, presos à luminosa esteira do passado, caminho das radiosas clareiras do futuro, pela grandeza do Espiritismo em nossa querida Pátria, pela restauração da moral, da fraternidade e do amor entre os homens.

E empunhando o sabre luminoso de ponta romba, prossigamos, sem temor nem vacilações, na arrancada fulgurante para a glória de nosso ideal, dentro de mágica e abençoada cadeia de luz e amor, a fim de que possamos sentir a luminosidade de uma aurora imaculada e esplêndida, sob o emblema da Cruzada dos Militares Espíritas!

FIM

Elaborada pelo Cruzado General Milton O´Reilly de Souza.

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