Obssessão e Tecnologia


Manoel Cândido de Andrade Netto

Cz 5.253

É sabido que ao desencarnar levamos gravados no perispírito os conhecimentos adquiridos e as experiências vividas durante a nossa trajetória terrestre. Podemos inferir que indivíduos de uma mesma geração conduzem consigo, após o desencarne, conhecimentos diferentes uns dos outros. As diferenças são determinadas por inúmeros fatores, como por exemplo: o ambiente geográfico, a cultura dos povos que os acolheram na reencarnação, o grau de instrução que atingiram, a formação religiosa que receberam, a profissão que adotaram e muitos outros. Assim um profissional liberal que viveu no Rio de Janeiro terá, como é óbvio, um cabedal de conhecimentos diferente daquele conseguido por um agricultor da Tanzânia, no interior da África. O mesmo ocorre com os espíritos desencarnados durante a Idade Média e os de hoje. Os primeiros, se não reencarnaram ainda, dificilmente terão conhecimentos de eletrônica , por mais cultos que fossem, embora ambos possam ter comportamento moral muito semelhante.

Possivelmente uma proporção muito grande de espíritos que desencarnaram nas últimas décadas terá somado aos conhecimentos que já possuíam, experiências e conhecimentos adquiridos na área de computação eletrônica, telecomunicações e muitos outros na área da ciência e da tecnologia. Se forem espíritos com alguma elevação moral, por certo procurarão empregar estes conhecimentos como mais um auxílio para a prática do bem e quando possível e autorizado, os utilizarão para auxiliar aos encarnados na busca da elevação espiritual. Por outro lado, aqueles que ainda não conseguiram sair das zonas trevosas e de alguma forma ainda se comprazem na prática do mal, por certo os utilizarão para cumprir tenebrosos desejos de vingança através da obsessão desencadeada contra encarnados invigilantes. Neste caso, usando os conhecimentos adquiridos na mais recente reencarnação, plasmariam receptores fluídicos nos cérebros de encarnados e afastando-se para bem longe deles exerceriam, à distância, sua nefasta atuação dificultando o trabalho eficiente de grupos que, na terra procuram realizar a caridade através da prática da desobsessão.

Mas quando e como seria possível realizar a colocação de um aparelho fluídico no cérebro de um encarnado?

Infelizmente inúmeras são as oportunidades que oferecemos a esses irmãos que, a despeito das oportunidades que receberam do Alto, ainda não visualizaram o caminho que conduz à verdadeira luz. São basicamente os momentos de invigilância: ao adotar certos procedimentos considerados inocentes que fazem parte da cultura moderna, particularmente em reuniões onde abusam do álcool e muitos fazem até concessões a uma inconseqüente experiência com tóxicos; ao aceitar um conceito religioso que, sem uma profunda e desapaixonada análise, os transformam em fanáticos recebendo idéias sem passá-las pelo crivo da razão, aceitando quaisquer sugestões parecidas com as idéias que esposam muitas vezes plantadas pelo próprio obsessor, tornam-se vítimas fáceis de um processo obsessivo.

Concluindo, lembremos das palavras do Mestre Divino citadas por Mateus (26:41): "vigiai e orai para que não entreis em tentação". Mais uma vez Ele estava emitindo um conceito que seria verdadeiro para todo o sempre e plenamente aplicável ao dia-dia de todos nós, qualquer que seja o avanço filosófico e tecnológico da humanidade. A vigilância, reforçada pela oração, será sempre a maneira eficaz de escaparmos das situações que nos tornam vulneráveis à obsessão, mesmo quando vítimas dos mais modernos recursos tecnológicos.

 

O autor é Cel Eng R/1 e atua no Núcleo da Praia Vermelha-Urca (RJ) da CME.

 

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