General Professor Milton O'Reilly de Sousa


Nascido em São Pedro de Itabapoana, ES, aos 23 de junho de 1904, era filho do Dr Henrique O'Reilly de Sousa e de D. Julieta Duval O'Reilly de Sousa.

Acalentando o projeto de seguir a carreira das armas, sentou praça, como voluntário,  no 3º Regimento de Infantaria, na Capital Federal. Como reservista, matriculou-se na Escola Militar do Realengo a 1º de junho de 1922. Logo se viu envolvido nos graves acontecimentos políticos daquele ano, no vórtice da Revolta de 5 de julho, centrada no Forte de Copacabana e na Escola Militar. Desligado da Escola, foi mandado servir, como soldado, no 19º Batalhão de Caçadores, em Salvador, sendo depois transferido para o 1º Grupo de Obuses, no Rio de Janeiro. Respondendo a processo, foi desligado do Exército em meados de 1923.

Ingressou, então, no Banco do Comércio e Indústria de Minas Gerais, iniciando seu curso de Direito na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, concluído em 1929. Concomitantemente exerceu o magistério no Instituto Superior de Preparatórios, no Colégio Anglo-Americano e na Escola Urânia.

Vitoriosa, uma das primeiras iniciativas da Revolução de 30, foi a anistia geral para militares e civis. Voltou ele, em conseqüência,  às fileiras do Exército como 1º Tenente comissionado.

Tomou parte no Destacamento do Exército de Leste, comandado pelo Gen Góis Monteiro, na Campanha de 32, em São Paulo.

Concluindo o curso da Escola Militar, é efetivado como 1º Tenente da arma de Artilharia, sendo classificado em João Pessoa, na 7ª Bateria Independente.

Em 1934, quando servia na 7ª RM (Recife) foi promovido a capitão e chefiou o Serviço de Material Bélico Regional. Serviu, a seguir, na Fábrica de Projetis de Artilharia, no Rio de Janeiro (1936/39) e no 1º Grupo do 5º Regimento de Artilharia da Divisão de Cavalaria, em Aquidauana (1939/41). Em 1941 cursou a Escola das Armas, sendo classificado no 2º Grupo de Artilharia de Dorso, em Jundiaí.

Em maio de 1943 foi nomeado professor adjunto da cadeira de Balística na Escola Militar do Realengo, sendo efetivado como adjunto de catedrático em 1944 e transferido para a Reserva de 1ª Classe, como major. Iniciava-se uma fase muito promissora, pelo desdobramento de uma forte vocação para o magistério, já testemunhada em anos anteriores.

Com o fim da Escola Militar do Realengo, foi transferido para a Escola Militar de Resende (depois AMAN), onde deu entrada em maio de 1945.

Até 1955, ano em que foi promovido a General de Brigada e reformado  como General de Divisão, lecionou Balística na Academia. Durante os anos de permanência em Resende lecionou Latim, Português e Literatura no Colégio Dom Bosco e na Escola Normal Santa Ângela, escolas estas que eram freqüentadas pelos filhos dos militares que serviam na Academia.

Tornou-se espírita em 1934, após a leitura da notável obra de Léon Denis, "O Problema do Ser, do Destino e da Dor". Aprofundou-se nos estudos doutrinários, e a partir daí, onde estivesse, era sempre um ativo divulgador do Espiritismo, o que fazia com o substrato de sua sólida cultura. Na AMAN, sua residência era referencial para os jovens e colegas que tinham interesse nos aspectos científicos e filosóficos da Doutrina Espírita.

Reformado, radicou-se no Rio de Janeiro, iniciando fase de intenso trabalho doutrinário em várias instituições. Foi vice-presidente e expositor permanente do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, fundado por Deolindo Amorim, a quem era muito ligado; foi vice-presidente e conselheiro da Fundação Cristã-Espírita Cultural Paulo de Tarso, mantenedora da Rádio Rio de Janeiro; foi fundador e conselheiro da Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores Espíritas. Colaborou com o Cruzado Cel Jaime Rolemberg de Lima, fundador do Lar Fabiano de Cristo e da CAPEMI, tendo sido diretor dessas instituições, das quais foi sócio-efetivo e conselheiro.

Expositor de reconhecidos méritos, era constantemente requisitado a pronunciar palestras em inúmeras instituições, no Estado do Rio de Janeiro e fora dele.

Cruzado de primeira hora, ao chegar ao Rio assumiu a vice-presidência da CME, em 1955, a convite do Gen Duque-Estrada, a quem substituiu na presidência, em 1979. Em 1985, ao deixar a presidência, a Diretoria da Cruzada lhe outorgou o título de Presidente de Honra.

Filólogo, etimólogo e dicionarista, deixou importante contribuição neste ramo do conhecimento, publicando o Dicionário de Fonografia, o Vocabulário Etimológico, Ortoépico e Remissivo e um Manual de Correspondência Comercial. As suas Achegas ao Dicionário de Fonografia foram editadas em Lisboa.

Escreveu para diversos periódicos do Espírito Santo, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro, e colaborou com a Revista de Portugal em assuntos de filologia.

 

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