
A Razão da Dor
Jorge Pedreira de Cerqueira
Cz 5.851
Uma das coisas mais difíceis para o homem é a percepção de Deus. Existem aqueles que negam sua existência apesar de não conseguirem explicar como é possível existir toda a natureza.
Allan Kardec inicia O Livro dos Espíritos, perguntando aos mentores espirituais "Que é Deus?". Não houve de sua parte a preocupação em tentar associar Deus à imagem e semelhança dos homens. Como não sabia explicar a existência do Criador perguntou o que Ele era.
Os Espíritos responderam, de maneira simples, que Deus é a Inteligência Suprema, a causa primária de todas as coisas. Isso significa, em última instância, que Deus é o Criador, o Gerador, a Fonte de todas as coisas. Deus é a causa, todo resto é conseqüência.
Deus não seria, portanto, aquele velhinho bondoso, de barba muito branca e olhos serenos, sentado no trono do reino dos céus a julgar todos os homens ou a lhes fazer concessões. Essa é uma idéia deformada cuja origem está na necessidade de o homem pensar que foi criado à sua imagem e semelhança. De fato, fomos criados à sua imagem e semelhança, mas no tocante ao espírito e não ao corpo material. Somos, por conseguinte, inteligência que evolui e aprende a participar da criação.
Buscando compreender melhor o que é Deus, o homem em sua pequenez busca explicar os fenômenos de sua vida a partir dos atributos que O colocam como Pai amoroso. Deus é infinito, onipresente, onipotente, soberanamente justo e bom. Deus é misericórdia, é paz, é amor. Estes atributos são premissas sobre as quais baseamos toda a nossa crença, todos os nossos valores, toda a nossa fé.
Existe, porém, uma interpretação equivocada quando, ao tentarmos perceber Deus, achamos injusto que possa haver dor e sofrimento na vida humana e que seja possível afirmar que a felicidade não seja desse mundo. Os mais precipitados questionam: sendo Deus soberanamente bom, por que não criou os homens para a felicidade, afastando de suas vidas toda vicissitude, tornando-os, todos, anjos de bondade e misericórdia desde o início dos tempos? Isso, em suas maneiras de pensar, constitui-se um contra-senso.
Na realidade, Deus é soberanamente bom e justo e criou o homem para a felicidade. Cabe, porém, a este, dotado de inteligência evolutiva e de livre-arbítrio, aprender a construí-la em seu caminho. A rota está bem definida, e o critério de justiça está determinado desde o início dos tempos. O fiel da balança é o amor em todas as suas formas, devendo o homem aprendê-las e incorporá-las a si, iluminando sua vida, elevando seu espírito em pureza e compreensão.
A dor é sempre a conseqüência do desequilíbrio causado pelo descumprimento da lei natural. A dor é a indicação do desvio, facultando ao homem a retomada do caminho. O sofrimento é a conseqüência da postura assumida diante da dor. A felicidade, portanto, está diretamente ligada ao bem ou ao mal sofrer.
Os recursos da Criação sempre nos serão dados, mas necessário se torna que nos habilitemos a recebê-los. A intervenção do plano espiritual na vida do homem encarnado é contínua, mas a sintonia com que ele se liga aos valores do amor é que diferencia a influência que está disposto a receber.
Aquele que teima em manter-se ligado, através do pensamento, das palavras e das obras, aos níveis vibratórios mais baixos, relacionados com os valores do instinto e das paixões materiais, recebe a cooperação daqueles que sintonizam com sua faixa vibratória, fechando os canais de recepção da Luz Divina. Pensamento negativo, influência negativa e consciência carregada pela dor e pelo sofrimento.
Pensamento positivo, sintonia com o amor de Deus, disposição para o trabalho útil, influência positiva que reforça o espírito com a fé e com a esperança, tornando-o pleno de luz e de compreensão. Para este a dor não será vista como sofrimento, mas como escola de aprendizado, de crescimento e de iluminação interior.
Assim, caro companheiro de fé espírita, se hoje te sentes triste, movido pela dor da ingratidão ou da incompreensão; se hoje te sentes abandonado pela vida; pensa que junto de ti existem muitos amigos amorosos, que desejam ajudar-te a vencer tuas provas e transmitir-te ânimo e entusiasmo para a luta. Não esmoreças, pois. Crê na justiça de Deus, e aceita que todas as coisas estão certas em tua vida. Eleva teu pensamento e afasta de ti a amargura, a queixa, o azedume que faz com que te tornes brigado com a vida. Olha a tua volta e sente a presença de Deus em todas as coisas. Deixa que Sua misericórdia penetre em teu espírito enchendo-te de paz e equilíbrio. Coloca o sorriso em teus lábios e agradece a oportunidade da vida a te proporcionar as experiências que necessitas para tua iluminação interior. Não te lastimes, sê resignado e busca sair da inércia em que te encontras e agir no mundo em que vives. Busca ser útil a teu próximo e pede ao Pai a oportunidade de participar de Sua obra de amor.
Verás como a paz instalar-se-á em tua alma, e sentirás a presença dos Espíritos fraternos guiando-te no caminho da luz. Abre teu canal de comunicação com as forças sublimes da natureza. Junto a ti existe um anjo que vela por tua sorte em todos os instantes e que deseja que compreendas os valores do bem e da verdade.
Enxuga toda lágrima originada na dor e no sofrimento e deixa fluir as lágrimas do amor e do agradecimento ao Pai pela tua vida e pelas tuas experiências. Enfrenta as dores do mundo como lições de aprendizado que forjam continuamente tua luz e tua sabedoria.
Ressuscita a caridade e verás a misericórdia de Deus a acompanhar-te em todos os momentos de tua vida.
O autor é Cel QMB R/1 e Associado Efetivo da CME.