Toda Prática Mediúnica Deve Ser Gratuita ou Não é Espírita


Ciro Francisco Amantéa

Cz 5.900

 E havendo Jesus entrado no templo, começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo;...E Ele os ensinava, dizendo-lhes: porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas a gentes? E vós a tendes feito dela covil de ladrões.”(Marcos ,11:15-18 e Mateus, 21:12 e 13).

“Jesus expulsou os vendilhões do templo, e assim condenou o tráfico das coisas santas, sob qualquer forma que seja. Deus não vende a sua benção, nem o seu perdão, nem a entrada no Reino dos Céus. O homem não tem, portanto, o direito de cobrar nada disso (estudo de Kardec inserido em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – cap.XXVI- ítem 6).

O Espiritismo considera a Mediunidade, com Jesus e com Kardec, coisa sagrada, santa, razão porque ela jamais poderá ser comercializada. Daí termos colocarmos os textos dos Evangelhos de Marcos e Mateus. 

Sendo sagrada, deve ser praticada santamente, religiosamente, como fizeram os seus apóstolos e discípulos verdadeiros, médiuns que também eram. Os princípios da Doutrina Espírita ensinam que a Mediunidade deve ser  utilizada unicamente para o bem e a caridade, não sendo necessária, para esses objetivos, a presença de qualquer ritual, danças, apetrechos, objetos materiais, incenso ou mesmo bebidas que levem ao entorpecimento dos sentidos e da razão.  O intercâmbio espiritual que  leva à espiritualização  tanto dos médiuns quanto das pessoas presentes, prevê, isto sim, o estudo sério da mediunidade e do mediunato com Jesus. Foi sempre assim no Espiritismo, com Jesus e com Kardec. Fazer o contrário disso não é, pois, ser espírita. Pode ser médium, mas não é médium espírita. 

 “Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expeli os demônios; dai de graça o que de graça recebestes” (Mateus,10:8). Jesus deixa claro que o  exercício do dom mediúnico é gratuito.

A Mediunidade, ou seja, esse intercâmbio com o mundo espiritual, que algumas igrejas chamam, inadvertidamente, talvez até por ignorância, de mundo dos mortos, a Mediunidade - repito - sempre existiu, e o Espiritismo jamais se disse dono dessa faculdade. Ela, a Mediunidade, é inerente ao ser humano, e embora seja dom do espírito, radica-se, através do perispirito, no organismo, e desde que o homem existe neste planeta ela foi usada, de uma maneira ou de outra. Todas as civilizações - todas, enfatizamos - apresentam em seu bojo ou histórico curricular, inúmeros episódios, isolados e coletivos, de manifestações espirituais. Quem discordar disso talvez não tenha aprofundado o estudo da História das Civilizações, que mostra terem sido inúmeros os episódios - isolados e coletivos - das manifestações espirituais ao longo do tempo. Há excelentes trabalhos, de antropólogos famosos ou não que demonstram a interferência dos espíritos no mundo dos mortais, entre povos primitivos e selvagens, com fenômenos tão agudos quanto os ocorridos entre os ditos civilizados, o que demonstra sua naturalidade, independente de qualquer rótulo religioso. 

Quando Kardec, já no século 19, interroga os espíritos a respeito da Mediunidade, o faz seguindo uma metodologia científica, segura e forte, que o leva a comprovar, agora com a utilização da Ciência, a existência real do Mundo Espiritual, que sempre se manifestou aos homens procurando desperta-los  para a consciência de si mesmos.  No ítem 2 do Capítulo XX da sua obra “O Livro dos Médiuns”, editada em l861 em Paris, França, Kardec faz uma pergunta muito importante aos espíritos: “Sempre se disse que a mediunidade é um dom de Deus, uma graça, um favor divino. Por que, então, não é um privilégio dos homens de bem? E por que há criaturas indignas que a possuem no mais alto grau e a empregam no mau sentido?”  Responderam os espíritos:-Todas as nossas faculdades são favores que devemos agradecer a Deus, pois há criaturas que não as possuem. Podias perguntar porque Deus concede boa visão a malfeitores, destreza aos larápios, eloqüência aos que só a utilizam para o mal. Acontece o mesmo com a mediunidade. Criaturas indignas a possuem, porque dela necessitam mais do que as outras para se melhorarem. Pensas que Deus recusa os meios de salvação aos culpados? Ele os multiplica nos seus passos, coloca-os nas suas próprias mãos. Cabe a eles aproveitá-los. Judas não fez milagres e não curou doentes, como apóstolo? Deus lhe permitiu esse dom  para  que mais odiosa lhe parecesse a traição.”

A mediunidade está no rol das faculdades que devem ser exercidas sempre graciosamente, conforme o mandato divino. 

O autor é Cel Dent, Coordenador do GED/Regimento Deodoro, em Itu, SP.

 

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