
Mensagem Maurícia 2002
De autoria do Cz 6.164, Major de Cavalaria (EB) Marco Aurélio de Almeida Rosa, Presidente do Núcleo da Praia Vermelha – Urca, no Rio de Janeiro.
Estimados Irmãos e irmãs cruzados,
A segunda metade do século XX foi marcante na evolução da civilização humana, caracterizada pelas intensas transformações que atingiram todos os campos do conhecimento humano, bem como os Estados constituídos, as organizações privadas, as pessoas e inevitavelmente, as religiões.
No entanto, apesar do desenvolvimento tecnológico, o homem ainda está infeliz, ainda se demora nas paixões alienantes e destrutivas, e sofre com a dor da violência, das guerras, da ditadura econômica, das drogas, da miséria, do abandono, do desprezo, das famílias desfeitas e da prostituição.
São as mazelas do nosso planeta de provas e expiações que surgem no momento em que está desarrumado, desorganizado, pela reforma que o Senhor da Vida determinou se fizesse na sua Casa Terrena.
É como se estivéssemos reformando nossa casa e atrás das paredes e debaixo do piso encontrássemos deficiências que conhecíamos, mas que não sabíamos serem tão profundas. E então, o que vemos?
Vemos as pessoas aturdidas buscando um bálsamo para aquelas dores e a Doutrina Espírita surge como uma alternativa eficaz para oferecer as respostas que procuram.
No entanto, é preciso que a Casa Espírita esteja preparada para atender aqueles que a buscam, em número cada vez maior, visando encontrar o lenitivo e renovar a esperança, almejando a paz.
A reflexão que gostaríamos de propor hoje, aos queridos cruzados, é: nossos Núcleos, nossos GED e nossa CME estão habilitados para estes novos tempos? Como vamos acolher este contingente de sofredores? Quais são os problemas que as pessoas estão ou estarão nos trazendo? Que medidas estão sendo adotadas visando preparar o trabalhador espírita para os novos desafios? E o mais importante: Como eu estou reformando minhas posturas íntimas? Como estão minhas conquistas doutrinárias? Estão de acordo com os preceitos kardequianos?
Não nos parece primordial responder um ao outro, mas cada um individualmente consultar sua consciência e buscar as respostas, transformando-as em ações efetivas, discretas, silenciosas e eficazes. Ações que permitam adequar nossa instituição aos desafios do nosso tempo, com Kardec, que não foi nem está ultrapassado, como asseveram alguns confrades desavisados.
Assim, torna-se relevante repensar nossas atividades doutrinárias, estabelecer objetivos simples e lógicos e qualificar nossos trabalhadores, entre outras ações, buscando trilhar o caminho da integração com as demais entidades espíritas onde a Cruzada se faça presente.
Nesta quadra do movimento espírita, é fundamental promover seminários, debates, programas de exposição coerentes e didáticos, realizar o estudo sistematizado da Doutrina, treinar expositores e coordenadores, preparar o trabalho do passe, sem misticismos ou distorções, enfim, qualificar o trabalhador para bem desempenhar suas tarefas.
Importante também, integrar as diversas atividades e as pessoas que fazem parte do seu quadro de trabalho. Fica difícil falar em divulgar a mensagem do Cristo por intermédio da doutrina Espírita quando nem dentro de nossos grupos conseguimos conviver com os irmãos que pensam diferente de nós; nem sempre discutimos nossas divergências no âmbito da fraternidade, optando pelo silêncio e, assim agindo, dificultamos a integração dos trabalhadores.
Sem essa integração, não ocorre a sinergia tão bem exemplificada pela legião de Maurício: “um só corpo, um só pensamento”.
Enquanto continuarmos apegados às nossas concepções pessoais, sem questioná-las, sem ter a vontade íntima de se renovar, de se permitir haver um pensamento diverso do nosso, de agasalhar novos confrades, num clima de amizade, fica difícil falar em caridade e fraternidade.
Legião e integração, duas palavras, duas épocas, mesmo significado.
Neste momento, é preciso reviver o exemplo de Maurício e daqueles que o acompanhavam, que não abriram mão da fidelidade ao Cristo, mantendo a pureza da sua fé nos ideais que esposaram como ferramentas de crescimento e de busca da felicidade.
Fidelidade que deixamos de lado, fruto da nossa inferioridade, ainda tão presente em nosso íntimo, ao trazermos para os nossos Núcleos posturas e práticas que, embora louváveis, mas que não constam dos anais de Allan Kardec.
Fidelidade ao Cristo, vivificada por Maurício, que deixamos de lado quando colocamos nossos interesses pessoais acima dos objetivos da Doutrina Espírita, causando danos desnecessários à qualidade das atividades por estarmos apegados a formas nem sempre coerentes com os postulados kardequianos.
Neste período de tormenta por que passa a Humanidade, cresce o chamamento do Alto para a ingente tarefa de integrar cada vez mais os diferentes segmentos da nossa Cruzada, através do estudo, da fraternidade e das práticas mediúnicas, no quadro geral do Consolador prometido por Jesus.
Cresce, também, a necessidade de humanizarmos nossos Núcleos, pela prática da legítima caridade com nossos confrades, ajudando-os nas suas tarefas, assumindo responsabilidades e desonerando companheiros que desempenham tarefas mais difíceis, ficando, não raro, sobrecarregados.
Vale ainda pensar em tornarmo-nos mais fraternos, silenciando perante as discordâncias, calando o pensamento malsão, amparando com nossas mãos e nossos corações, os tão queridos companheiros de jornada, fortalecendo o mesmo espírito de corpo que foi demosntrado pelos integrantes da Legião Tebana, tendo Maurício como o grande comandante e em Jesus o modelo inspirador, sustentando-os no grande sacrifício em nome da fidelidade.
Enfim, urge repensarmos nossas ações, preparando-nos para desafios cada vez mais profundos, contundentes, definidores de nossa jornada.
Para tanto, propomos mais uma reflexão: por que sou espírita?
Querido cruzado, não responda para ninguém, responda para você, a quem você deve a maior dose de fidelidade e lealdade, antes de qualquer outro ser.
Com estas reflexões, teremos melhores condições de compreender o valor do sempre presente Chico Xavier em nossas vidas, pelo exemplo de fidelidade e amor incondicional à Verdade, à Kardec, ao Cristo e à Deus.
Com estas reflexões, teremos melhores condições de compreender o valor do trabalho e do sacrifício do saudoso Cel Ruy Kremer, que manteve inabalável fidelidade ao trabalho do Cristo, mesmo combalido pela pertinaz doença que lhe minava as forças.
Com estas reflexões, melhor compreenderemos o valor do testemunho de Maurício e de sua legião, que em condições muito mais adversas em relação às nossas, amou a Verdade e a Deus, testemunhando incondicional fidelidade a Jesus.
Assim, nesta noite, prezado Maurício, nós poderíamos homenagear-te de tantas maneira, mas buscamos a singeleza para dizer-te:
Ave, Maurício! Em nome de Deus nós te saudamos!
Ave, Cristo!