Vida em Marte


José Lucas de Silva

Cz 6.294

Há vida no planeta Marte?

As Religiões tradicionais dizem que vida só há na Terra.

A Ciência oficial, cautelosamente, aguarda o resultado final das diferentes missões de naves-comandadas, enviadas ao planeta vermelho, para depois se manifestar. Falta muito pouco tempo para obter uma certificação científica a esse respeito.

A nave européia Mars Express, que deve permanecer em órbita de Marte por pelo menos dois anos, com fotos de alta resolução e dados captados de região próxima ao pólo sul, obteve sinais de água sob forma de gelo, ao que parece, em vales escavados por antigos rios, e de água vaporizada na atmosfera marciana. Os cientistas europeus acreditam que no passado, água teria fluído pela superfície, mas mudanças climáticas misteriosas teriam tornado Marte num mundo seco.

Com os carros-robô Spirit e Opportunity, da NASA, Agência Espacial Americana, buscam informações úteis como análises de rochas e sinais da existência de água por meio de equipamento presencial para vasculhar a superfície marciana.

Com água, a hipótese de haver ou ter havido vida é mais provável. Sem água, não haveria condições. Há uma grande expectativa sobre o que encontrar em Marte.

É claro que a Ciência aos poucos caminha desvelando e comprovando todas as verdades a que o homem terá acesso, demonstrando e explicando por meio de fatos concretos (positivos, sensíveis, visíveis, palpáveis). Isso é inegável. À sua frente, porém, concorre um de seus polêmicos ramos: - a Filosofia, que utiliza a razão e o senso íntimo do observador como instrumentos de investigação.

O infinito do Universo mostra-se sempre como um desafio à curiosidade do homem, que ainda limitado no saber, sente a natural necessidade de encontrar compreensão para tudo que o cerca no espaço sideral. Conhece algumas teorias, examina distância, tempo, relatividade, mas, na verdade, falta-lhe muita capacidade para o entendimento e assim poder satisfazer sua vã filosofia. Porém, pequenas questões podem encaminhar a irrecusáveis raciocínios lógicos.

Ao observador mais atento, uma pergunta lhe vem quando percebe uma quantidade incontável de astros brilhando no céu: "Há vidas nos planetas? Se vida só há na Terra, para que a existência de uma enormidade de astros no espaço? Será somente para embelezar o cenário noturno dos terráqueos? E aqueles que não são nem visíveis, qual sua utilidade?Quem criou essa imensidão de estrelas não lhe quis atribuir outro destino a não ser o de mero coadjuvante para quem vive na Terra?"

O sistema solar ocupa um ponto insignificante no Universo. Está localizado numa parte final da Via-Láctea, galáxia onde existem cerca de 40 bilhões de estrelas ou mais, algumas das quais tão grandes que uma só toma espaço igual ao ocupado pelo Sol e todos os planetas que o circundam. Na vastidão do infinito, os olhos dos telescópios não conseguem alcançar as longínquas distâncias para identificar diferentes galáxias. Com elas, numerosos mundos compõem sua espiral.

A Doutrina Espírita que é Religião, Ciência e Filosofia, não modificando nada daquilo que já tem sido obra de sua revelação diante de novas descobertas, ensina que todos os globos do Universo são habitados (pergunta 55 de "O Livro dos Espíritos"), apesar da não comprovação da Ciência Oficial.

A Religião atua como quem abre uma trilha num caminho desconhecido, a partir da qual a Filosofia discute sua finalidade e manifesta uma sustentação lógica. Mais tarde, por meio da comprovação, a Ciência, por cima da trilha, constrói uma estrada.

Como a fé espírita é uma fé com raciocínio, Allan Kardec, o bom senso encarnado, de pensamento investigativo, acrescenta que Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta em que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de Ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes.

Sabemos que os mundos onde orbitam vidas estão classificados como Primitivos, de Provas e Expiações, de Regeneração, Ditosos e Celestes e que no seu entorno, com capacidade de interagir com os que vivem na superfície material, estão localizadas as regiões espirituais, também denominadas de postos, zonas, colônias, cidades ou esferas, correspondendo às coletividades desencarnadas existentes.

Além destes, existem os mundos transitórios, de muito pouca informação e de pouca abordagem na literatura espírita. Destinam-se a espíritos errantes, para servir-lhes de habitação temporária, espécie de locais onde descansem de uma demasiada longa erraticidade. São, entre outros mundos, posições intermediárias, graduadas de acordo com a natureza dos espíritos que a elas podem ter acesso. Os mundos transitórios não se prestam à encarnação de seres corpóreos porque estéril é neles a superfície e os que os habitam de nada dele precisam.

Aliás, mesmo esta esterilidade é igualmente transitória. A Terra, por exemplo, já foi mundo transitório durante sua formação. Hoje, é classificada como planeta de expiações e provas, prestando-se, portanto, à encarnação de espíritos necessitados de passarem pelas vicissitudes que o planeta oferece.

Diante desses esclarecimentos que a Doutrina Espírita revela, podemos inferir que Marte, a despeito de se encontrar água ou não, de se constatar uma superfície estéril ou não, é um astro que abriga seres vivos com uma determinada finalidade.

Sendo assim, é natural provocar algumas indagações: "Será um mundo em formação, para um novo tempo e por isso constitui-se em um mundo transitório? Será um mundo superior à Terra, cuja materialidade da vida encarnada é mais sutil e foge ao alcance de nossos sentidos? Afinal, que humanidade habita o seu seio espiritual?"

Sobre as expedições a Marte, inicialmente de naves não-tripuladas, e não muito mais tarde, de naves com viajores terrestres, não se encontrando vida material, permanece sobretudo, um questionamento para a nossa meditação: "Que reflexo causaria na vida espiritual marciana a presença de astronautas terrenos em sua superfície?"

 

O autor é Cel Art, Instrutor da ECEME e Vice-Presidente do Núcleo Praia Vermelha-Urca da CME.

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