
O Espírita e o Futuro
Teltz Cardoso Farias
Cz 5.312
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A ciência é chamada a explicar a gênese segundo as leis da natureza. Deus prova sua grandeza e seu poder pela imutabilidade de suas leis, e não por sua suspensão. PARA DEUS, O PASSADO E O FUTURO SÃO O PRESENTE."(A Gênese – Allan Kardec – 1ª página)
Este artigo, em sua simplicidade, visa relembrar aos companheiros espíritas conceitos e ensinamentos que a nossa Doutrina nos prodigaliza – através das obras básicas da Codificação e outras, complementares – ofertando-nos uma fé lúcida e esclarecida, sempre atual, e apta a acompanhar o progresso "em todas as épocas da humanidade".
O novo milênio chegou sem que os vaticínios pessimistas de seitas, religiões e filosofias, desconectados da verdade, se concretizassem ...e a Terra continuou a abrigar almas e espíritos a ela vinculados, pelas necessidades evolutivas, sem que a normalidade fosse rompida ou que as leis divinas sofressem qualquer abalo ou violência.
O Espiritismo é o Consolador Prometido por Jesus (João, 14:16,17,25 e 26) e veio com a missão de reviver os Seus ensinos, bem como promover a nossa evolução espiritual, pelo conhecimento da verdade.
Não veio a Terceira Revelação divina para aqueles que estão satisfeitos com as suas confissões de fé. "Veio para os que não tem religião ou para os que – mesmo filiados a uma – não estão contentes e anseiam por algo melhor O Espiritismo não é contrário a nenhuma Escola Religiosa".
Quem é o Espírita então?
Nos itens 3 e 4, do Capítulo 17, de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", nosso Codificador nos informa: "é um Homem de Bem, que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade. Deposita fé em Deus. Sabe que sem sua permissão nada lhe acontece... tem fé no futuro e coloca os bens espirituais acima dos bens temporais...
Em todas as situações toma por guia a caridade...
Aquele que pode ser, com razão, qualificado de Espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral.
O Espírito, que nele domina de modo mais completo a matéria, dá-lhe uma percepção mais clara do futuro; os princípios da Doutrina lhe fazem vibrar fibras que nos outros se conservam inertes.
Em suma: é tocado no coração, pelo que inabalável se lhe torna a fé... "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más".
Não somos diferentes, para melhor ou para pior, de quem quer que seja. O Espiritismo, entretanto, nos privilegia com conhecimentos que a maioria ainda não possui e, em conseqüência, esse saber nos compromete. A luz radiosa da Terceira Revelação nos faz cientes, por exemplo, de que somos Espíritos eternos; de que não há morte; de que existe uma Lei de Evolução (ou de Progresso); de que estamos, todos, sujeitos a uma Lei de Causa e Efeito (ou Ação e Reação); de que a Justiça Divina é perfeita e não falha; de que a Reencarnação é Lei Natural (portanto divina) e de que a nossa grande fatalidade/destinação é tornarmo-nos Espíritos superiores/felizes.
O Espírita sabe, ainda, que o seu passado deu conseqüência ao seu presente e que esse presente dará causa ao seu futuro!
O Espírita sabe que vivemos, no momento atual, um "período de transição" e que "os tempos estão chegados", como época de seleção de valores, mas que – pela Lei de Progresso, a Terra caminha para "mundo regenerador" e aqueles que não forem dignos de aqui permanecerem, terão que deixá-la para não retardar o seu progresso.
Sabendo tudo isso, o Espírita consciente deve-se questionar: a) Como está sendo o seu momento atual (presente)? b) Como aproveitar as experiências felizes ou infelizes já vivenciadas (passado)? c) O que tem feito para melhor viver no tempo que há de vir (futuro)?
Nossa Doutrina nos esclarece que, para o nosso bem, esquecemos o passado e não temos acesso aos acontecimentos futuros. Ela porém nos ensina que o presente está íntima e diretamente ligado ao que passou e ao que virá. Ensina-nos que o livre arbítrio (ou a livre vontade), de que somos dotados, é o grande definidor de nosso destino/determinismo.
O nosso presente representa muito do nosso passado e do nosso futuro! Estamos perfeitamente informados que podemos alterar – para melhor ou para pior – os dias que vamos ainda vivenciar, na carne ou na vida espiritual.
Será, portanto, coerente, sabendo disso tudo, que continuemos a agir quais crianças irresponsáveis?
Quantos de nós, que nos consideramos Espíritas, ainda usamos expressões como "sorte", "azar", "milagre", "injustiça", "fatalidade", etc.
Quantos, já conhecedores e praticantes da fé espírita – libertadora por excelência – ainda prosseguimos apegados a velhos hábitos e/ou crendices populares como: simpatias; amuletos para proteger; "trabalhos" de encruzilhada ou não; consultas a "curandeiros" de todos os tipos; a cartomantes, videntes, pais e mães-de-santo; previsões de futuro por intermédio de horóscopos, búzios, tarôs, bolas de cristal, entre outros?
Quantos prosseguimos nessa corrida louca em busca de posses terrenas, posições sociais, poderes temporais, gozos materiais?
Quantos ainda afirmamos ter "medo de ficar doente", "medo de envelhecer", "medo de morrer"?
A nossa fé, equivale dizer, a confiança que o conhecimento espírita da verdade nos oferece, permite-nos a certeza do futuro que nos aguarda? Caso a resposta seja negativa, urge que revisemos nossos valores íntimos e perguntemos a nós próprios: que papel o Espiritismo está desempenhando em minha vida?
O Espírita esclarecido, que procura colocar em prática tudo o que aprende, não pode ignorar o futuro que o espera . A perfeição (relativa) é a grande fatalidade que nos está destinada e não depende de ninguém a não ser de nós mesmos, pelo uso da liberdade de pensar e agir que o Pai nos concede e pela implantação do Evangelho em nossas vidas.
Allan Kardec, na Revista Espírita de dezembro de 1863, afirmou que o Espiritismo passaria por 6 (seis) períodos e que o sexto seria o da Regeneração Social. Igualmente o Mestre de Lion, no livro "Obras Póstumas", no capítulo "As Aristocracias", vaticinou que a humanidade atingiria um período de sua evolução – o sétimo que se chamaria Aristocracia Intelecto-Moral (Aristos: o melhor e Kratos: poder, donde Aristocracia significa: o poder dos melhores). Esse é o futuro que nos aguarda!... e o Espiritismo está sendo o precursor desse "mundo novo" que logo chegará.
Finalmente, cumpre agora lembrar como alcançaremos, basicamente, esse estágio de nossa civilização. O Espírita consciente pode afirmar que ele virá pela Educação e pela Moralização.
Quanto à Educação, precisamos ter bem patente que será aquela tendente a destruir o Egoísmo, fazendo Homens de Bem e não a que faz apenas homens instruídos, como explicou o nobre Codificador em nota esclarecedora à resposta da pergunta 917 de "O Livro dos Espíritos". Vale aqui recordar o inolvidável instrutor Emmanuel que, referindo-se à Educação, assim se expressou pela psicografia abençoada de Chico Xavier: "Na semente minúscula reside o germe do tronco benfeitor. Educa e transformarás a irracionalidade em inteligência, a inteligência em humanidade e a humanidade em angelitude. Educa e edificarás o paraíso na Terra".
No que diz respeito à Moralização, é certo, ela virá pela evangelização dos espíritos, na medida em que, deixando nosso comodismo, trabalhemos oferecendo o melhor de nossos esforços – agora, no presente, sem perda de tempo – pela implantação dos valores morais eternos, que todas as correntes filosóficas e religiosas sérias defendem e que o Espiritismo, com Jesus, mostra estar ao alcance de todos os que quiserem construir o futuro feliz a que estamos destinados.
Irmãos espíritas, o futuro de nossas vidas depende de nós! Lembremos, por fim, de nosso Senhor e Mestre quando no Sermão da Montanha (Mateus, 5:13 a 16), dirigindo-se à multidão e aos discípulos, afirma: "Vós sois o sal da Terra... vós sois a luz do mundo... assim brilhe a vossa luz diante dos homens..." e, mais adiante (Mateus, 16:26) Ele questiona: "Pois, que aproveita ao homem ganhar todo o mundo, se vier a perder sua alma"?
Somos poucos ainda, todos sabemos, mas determinados, corajosos e esclarecidos pela verdade, havemos de continuar contribuindo com nossa parcela para que a real fraternidade, entre todos os homens, seja vivida na Terra socialmente regenerada e dirigida pelos mais dignos.
Com desassombro caminhemos para o futuro melhor e esclareçamos os tímidos e os fracos, os que duvidam e os que não sabem – como fez Paulo de Tarso na 1ª carta aos Coríntios (5:6): "Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?"
Bibliografia
1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Ed. FEB. O Livro dos Médiuns. Ed. FEB.
O Evangelho Segundo o Espiritismo. Ed FEB. A Gênese. Ed. FEB. Obras Póstumas. Ed. FEB
Revista Espírita. Ed. EDICEl, Dez/1863 e Jan/1865.
2. VIEIRA, Valdo. Conduta Espírita, pelo Espírito de André Luiz. Ed. FEB.
3. FRANCO, Divaldo Pereira. Leis Morais da Vida, pelo Espírito de Joanna de Angelis. Ed.
LEAL. Revista Presença Espírita, pelo Espírito de Joanna de Angelis, Ed. LEAL.
4. CALLIGARIS, Rodolfo. As Leis Morais. Ed. FEB.
5. BERNI, Duílio Lena. Brasil, Mais Além. Ed. FEB.
6. XAVIER, Francisco Cândido. Palavras de Vida Eterna, pelo Espírito de Emmanuel. Ed. CEC.
Fonte Viva, pelo Espírito de Emmanuel, Ed. FEB. Pinga Fogo. Ed. EDICEL, 1971.
7. Bíblia Sagrada. Edições Paulinas, 1991.
O autor é Cel R/1, Representante da CME no Estado do Rio Grande do Sul e Presidente do Núcleo de Santa Maria.