
Eles Vivem
Célio de Souza Brandão
Cz 6.733
Através de quatro romances escritos por Emmanuel ("Há Dois Mil Anos", "Cinqüenta Anos Depois", "Ave Cristo!" e "Renúncia"), foi-nos dado conhecer cinco personalidades vividas por este espírito de escol.
Foi Públio Lentulus, senador romano em duas encarnações sucessivas. Avô e neto, com grande cultura e espírito de liderança.
No maravilhoso "Há Dois Mil Anos", Públio Lentulus encontrou Jesus. Flávia, sua filha, foi uma das curas do Mestre, mas mesmo com a cura da filha, o senador não teve complacência com os seguidores de Jesus que amavam e curavam seguindo fielmente os ensinamentos e exemplos do Jovem Galileu. Nada parecia sensibilizar o altivo e orgulhoso senador.
Quando desencarnou, numa erupção do Vesúvio, como foi narrado em detalhes no livro "Há Dois Mil Anos", já sentia Públio Lentulus grande arrependimento.
No livro "Cinqüenta Anos Depois" ficamos conhecendo a terceira personalidade deste espírito que deseja ser conhecido por Emmanuel. Chamava-se então Nestório, um escravo seguidor do Evangelho que corajosamente suportou as torturas, sendo brutalmente chacinado. Podemos dizer que nesta reencarnação iniciou-se a trajetória de Emmanuel como evangelizador.
Retornou novamente às lides cristãs como o escravo Rufo, personagem do livro que se segue: "Ave Cristo!" Foi um dos mártires assassinados pelas autoridades romanas nas Gálias.
No romance "Renúncia" este espírito de grande elevação aparece na personalidade do sábio e bondoso Padre Damiano, vigário da igreja de São Vicente em Ávila, Espanha.
A última reencarnação – a sexta por nós conhecida – foi como Padre Manoel da Nóbrega.
O Cristianismo até o século III, graças a Emmanuel, nos é trazido através das três primeiras obras citadas, além do monumental "Paulo e Estêvão"; mas o que aconteceu após "Ave Cristo!"?
O amor incondicional pregado por Jesus, o Cristo, foi aparentemente esquecido. Surgiu uma religião oficial, intimamente ligada ao poder político.
O que aconteceu com os poderosos torturadores? Abraçaram a nova religião.
O que aconteceu com os seguidores de Jesus? Continuaram no plano espiritual a orientar os encarnados e, vez por outra, voltando à Terra para orientar os entes queridos na direção do bem, como aconteceu com Quinto Varro no romance "Ave Cristo!".
Em outros casos, para exemplificar, como vários santos da Igreja Católica ou espíritos missionários, trabalahdores do Mestre Jesus, em todos os segmentos religiosos.
O que ocorria no velho continente?
A ignorância lançou uma tenebrosa nuvem negra sobre a Europa.
A associação do poder com a religião foi responsável por guerras, perseguições, crimes hediondos e morticínios perpetrados – pasmem – em nome de Jesus. A Inquisição e as Cruzadas são exemplos vivos desse período trevoso.
A ambição, a ganância e o orgulho de alguns dirigentes da Igreja Católica Romana levaram diversos religiosos e se rebelarem contra esses desmandos. O protestantismo surgiu na Europa e, apesar de grande repressão, ganhou força, como não podia deixar de ser.
Mais tarde a corrente materialista começou a crescer, graças às conquistas científicas dos séculos XVI ao XVIII, com a vitória da razão, esvaziando o mundo das alucinações teológicas.
Chegamos ao século XIX, momento escolhido por Jesus para a Renascença Cristã através do Espiritismo, quando o materialismo crescia assustadoramente na Europa.
Cumpria Ele o que havia prometido quando encarnado entre nós. O terreno foi convenientemente preparado segundo o escritor Conan Doyle, em sua obra "História do Espiritismo". Foi iniciada uma invasão espiritual com a reencarnação, na Europa, principalmente na França – país escolhido para berço da Doutrina – e nos Estados Unidos da América do Norte, de Espíritos comprometidos com a obra do Senhor. O grande escritor escocês chamou-a de invasão organizada.
Espíritos de grande elevação reencarnaram para este nobre mister.
Astrônomos, educadores, compositores, filósofos, escritores, cientistas de diversas áreas, todos enviados por Jesus, entre eles um espírito de altíssima elevação do qual conhecemos duas passagens na Terra: uma como sacerdote Druida e outra na personalidade de Johan Huss, precursor do protestantismo e que como religioso foi queimado vivo, como ocorreu com Jerônimo de Praga, Joana D’Arc e tantos outros.
Este espírito reencarnou na França, em Lyon, e chamava-se Hippolyte Léon Denizard Rivail. Sua cultura, conhecimentos e seriedade ultrapassaram as fronteiras do seu país, sendo escolhido com a idade de dezessete anos como primeiro assistente e substituto eventual do mestre Pestalozzi. Mais tarde, quando se interessou pelos fenômenos das mesas girantes que redundaram na primeira de suas obras, "O Livro dos Espíritos", passou a assinar Allan Kardec, pois não queria que o seu imenso prestígio nos meios intelectuais pudesse interferir na aceitação da obra que, humildemente, considerava dos espíritos.
Léon Denis também reencarnou na França pouco depois como trabalhador destacado da Nova Revelação.
Posteriormente, a árvore do Espiritismo – o Cristianismo Redivivo – foi transplantada para o Brasil, mas isto é outra longa história.
Que Deus, nosso Pai, ilumine nossos caminhos.
O autor é livre docente e Professor Titular Aposentado de Ortopedia da U.F.R.J.