
General Professor Augusto da Cunha Duque-Estrada
Nasceu a 18 de junho de 1883 em Bom Jesus do Itabapoana, no norte fluminense.
Em
1903 ingressou na Escola
Militar do Brasil Ali, Duque-Estrada encontrou um ambiente com
predominância da preparação
intelectual sobre o ensino militar, com todos os alunos voltados para o
bacharelato em que
ainda era muito viva a influência de Benjamim Constant. O meio
influiu muito sobre ele, que passou a interessar-se pelos conceitos comteanos.
Já
como oficial, passou a freqüentar as conferências de Teixeira Mendes, um dos
corifeus do Positivismo no Brasil, então presidindo a Igreja
Positivista.
Um lento rompimento com Positivismo começou com a Revolta de 1904, da Escola Militar, contra a vacina obrigatória, condenada pelos positivistas. Jamais o seu Positivismo foi ortodoxo ou faccioso, nem lhe afastou jamais a crença em Deus, negado por aqueles.
Herdando
do pai a vocação para o ensino,
empenhou-se por ingressar no Magistério Militar,
o que ocorreu em 1912, na Escola de Guerra, em Realengo.
Foi
um professor exemplar, ensinando e formando pelo exemplo. Ficou sempre em
Realengo, seu verdadeiro chão, sendo professor de inúmeras turmas de futuros
oficiais. Pelo menos duas gerações passaram por suas aulas de Mecânica
Racional, lecionando aos pais e, posteriormente, aos seus filhos. Fechada a
Escola, passou os últimos anos na Escola Técnica do Exército (hoje IME), ali
permanecendo até 1949, quando foi reformado, após 48 anos de relevantes serviços
ao Exército.
O
“Velho Duque”, como era carinhosamente chamado pelos oficiais que formara,
foi Patrono
da Turma de 1944, que tem o seu nome.
Em
1918, com 35 anos, após a tragédia da Gripe espanhola, que ceifou dezenas de
milhares de vidas, deixando famílias sem conta enlutadas, decidiu que deveria
fazer algo mais por seus semelhantes, e que a medicina lhe ofereceria campo para
tal. Formado pelo Instituto Hahnemaniano
do Brasil, formou-se médico, exercitando a Homeopatia, e inscrevendo seu
nome entre os grandes bandeirantes deste ramo da Medicina no Brasil. Atendia, em
especial, aos pobres, dos quais nada recebia, e aos quais ainda fornecia os
medicamentos que receitava. Era comum vê-lo subir os morros, com sua pequena
maleta, a fim de visitar os doentes nas comunidades faveladas.
Em 1912, conheceu o Espiritismo,através de um colega de Realengo. Estudou com afinco as obras básicas, frequentou trabalhos mediúnicos, acompanhou e estudou fenomenologia anímica e espírita. Foram anos de reflexão que redundaram em aceitação plena da Doutrina Espírita, com consequênte vivência espírita, reflexo de quem passa a ter um alto grua de comprometimento com ela.
Em
1918 passou a freqüentar a União
Espírita Suburbana, onde travou conhecimento com Ignácio
Bittencourt, Vianna de Carvalho e Paim Pamplona.
Em
1944 foi um dos sócios
fundadores da Cruzada
dos Militares Espíritas, tornando-se seu Presidente em 1954, cargo
que ocupou até 1971. Tinha, então, 88 anos, e deixou a função por motivos de
saúde. Daí até o seu desencarne, em 8 de setembro de 1982, foi nosso
Presidente de Honra.
Durante
sua feliz administração a Cruzada dinamizou as atividades dos Núcleos e
adquiriu a
sua sede própria. Mas, sobretudo, dele recebeu o exemplo de sua fé robusta, de
sua inteireza moral, de suas convicções firmas, de seu amor à justiça.