Síndrome de Down


Célio de Souza Brandão

Cz 6.733

A simples observação de um portador de Síndrome de Down com uma fisionomia risonha acompanhado por uma senhora tranqüila — provavelmente sua mãe — deu-me vontade de escrever sobre a Síndrome de Down.

Como médico e estudioso da Doutrina Espírita desde 1994 achei por bem passar meus conhecimentos para os meus leitores.

Inicialmente, recordarei o que a ciência dita oficial tem a dizer sobre esta síndrome.

O dicionário médico ilustrado de Dorland, sem dúvida o mais conceituado que conheço, diz-nos que a Síndrome de Down é uma condição caracterizada por crânio pequeno e achatado antero posteriormente, nariz pequeno e achatado, dobra epicantal, falanges curtas e espaço alongado entre o primeiro e segundo dedos das mãos e dos pés com retardo mental de moderado a severo associado com anormalidades cromossomiais, usualmente com trissomia do cromossomo 21, chamada também mongolismo e trissomia 21s.

No mais conhecido e respeitado tratado de pediatria americana, o de Nelson, encontramos algumas assertivas que não custa nada reproduzir: "a demonstração da trissomia 21 em mongolismo estende-se a fato biológico previamente estabelecido que em animais a tendência a não disjunção que resulta em trissomia aumenta com a idade materna..." Até aí concordamos mas há muitos aspectos além dessa constatação que não foram mencionados.

Cita também um autor que observou que a incidência de mongolismo é em certos grupos familiares muito maior que na população em geral.

Esta observação rigorosamente nada representa como veremos neste trabalho. A seguir faz minuciosas descrições do quadro clínico e das complicações que podem ocorrer nestes pacientes.

Como era de se esperar nenhuma menção quanto a etiologia que para os estudiosos do Espiritismo tanto importa.

Sabemos que Deus é a inteligência suprema, criador de todas as coisas. Tem como atributos ser soberanamente justo e misericordioso.

Quem não concordar com o que acabou de ser dito, quem achar que tudo é obra do acaso melhor seria parar a leitura.

Deus atua através de leis sábias e justas. A lei de causa e efeito é também conhecida como do retomo e da reciprocidade e atua sobre as criaturas como um avião no piloto automático. Estamos permanentemente sob o mecanismo da lei. Caso nossos pensamentos, palavras e atos estejam em harmonia com outra lei divina, a de justiça, amor e caridade, poderemos esperar um retomo que nos fará felizes. Caso nos afastemos dessa lei, seja em pensamentos, palavras ou atos, teremos um retomo proporcional ao mal que causamos.

A Doutrina Espírita ensina-nos que nada ocorre por acaso e que Deus é justo e misericordioso.

Seria inadmissível que alguém nascesse com Síndrome de Down e outro sem qualquer dificuldade, sem razão justa.

Como, então, explicar?

Uma criatura que usou mal seu livre arbítrio, causando dores físicas ou morais a outro, precisa passar por outro mecanismo educativo que é o processo reencarnatório,

O espírito somente expiará suas faltas quando na erraticidade — mundo maior — tiver despertado consciencialmente, caso contrário reencarnará compulsoriamente com assistência de seu mentor espiritual até que se encontre pronto para o início duma reencarnação expiatória. As reencarnações compulsórias ocorrem, portanto, em espíritos que não foram ainda envolvidos pelo remorso. É fácil entender pois nós com as nossas imperfeições seríamos incapazes de castigar uma criança de dois anos que quebrou um objeto. Com muito mais razão, os espíritos que são encarregados do processo reencarnatório, deixariam de agir em proveito do espírito reencarnante. Neste ponto fica claro que a reencarnação tem uma finalidade educativa, nunca punitiva.

Nas reencarnações compulsórias, não há comumente participação do reencarnante. A espiritualidade, ou seja o espírito encarregado do processo, encaminha aquele que vai renascer para onde haja atração. Podem ser relações sexuais fortuitas, quase sempre sem amor e os locais nem sempre são os mais favoráveis para o novo ser que sem um mapa genético preparado no plano espiritual dependerá das leis genéticas.

Os conhecimentos sobre a reencarnação se ampliaram a partir de 1945 quando foi lançado o livro "Missionários da Luz" — a terceira obra do espírito André Luiz — que neste fascinante e esclarecedor livro fala do Ministério da Reencarnação na Colônia espiritual "Nosso Lar". Para quem ignora, "Nosso Lar" não é uma grande colônia e se situa sobre nosso estado. André Luiz revela-nos o exaustivo trabalho dos espíritos responsáveis pelas nossas reencarnações. Utilizam técnicas avançadíssimas para nosso patamar evolutivo. São criados mapas hereditários, os pais biológicos são escolhidos, tudo visando o melhor aproveitamento da reencarnação.O que ocorreria nos casos de Síndrome de Down? São irmãos que em vivências passadas fizeram mal uso da grande inteligência que haviam adquirido. Quando despertaram na erraticidade foram tomados pelo remorso. Remorso insuportável diante das faltas cometidas levam esses espíritos sofridos a implorar uma reencarnação, expiatória. Por esta razão é que estão conformados e não revoltados pois compreendem sem dificuldade a misericórdia do Pai Criador.

Resta a escolha da genitora. Criaturas espiritualmente evoluídas que aceitam a maternidade. Encontros da futura mãe com o espírito reencamante ocorrem. Donde a resignação da mãe ante esta prova de amor incondicional.

Sabemos que foram espíritos dotados de grande inteligência mas se equivocaram e fizeram mal uso da inteligência causando sérios danos ao cérebro perispiritual que é o modelo organizador biológico, por conseguinte, lesando o cérebro físico. O portador de Síndrome de Down não pode usar a inteligência, porém, a emancipação da alma durante o sono permite que os mentores possam consolá-los e encorajá-los para mais um dia no plano material. Quanto a idade das mães sabemos ser mais avançada do que habitualmente. Deve-se ao fato das mães jovens apresentarem grande incidência de abortos espontâneos, o que não ocorreria com as mais idosas.

O autor é livre docente e Professor Titular Aposentado de Ortopedia da U.F.R.J.

 

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