
Deus e Nós
Marcelo Silva Bortolini de Castro
Cz 6.379
Todos sabemos que somos filhos do mesmo Pai celestial, causa primária de todas as coisas, criador da vida e do universo, mas nem sempre foi assim. Ao longo da evolução humana, o conceito de Deus se transformou, evoluiu.
Passamos pela era primitiva em que associávamos a divindade a todos os fenômenos que não compreendíamos. Foi o período do deus Sol, da deusa Lua, e tantos outros fenômenos naturais divinizados. Temíamos o desconhecido e tentávamos agradar àqueles que, na nossa equivocada concepção, eram seres com poderes divinos sobre a natureza. Fazíamos sacrifícios, oferendas e danças objetivando ter uma colheita mais farta ou acabar com um período de estiagem.
O tempo passou e o conhecimento humano sobre a natureza se ampliou. Surgiram, então, as primeiras religiões monoteístas, com base em conceitos e diretrizes estipuladas por seus criadores, tais como Abraão. Entretanto, ainda estávamos longe de compreender Deus integralmente. Foram épocas beligerantes, em que povos se degladiavam evocando o apoio e o poder de seus deuses. Errávamos na premissa, pois, se Deus é único, ele é igualmente pai de todos e jamais privilegiaria este ou aquele grupo dentre seu filhos.
Foi então que veio à crosta terrestre, em carne e osso, o querido mestre Jesus. Na condição de irmão mais velho, o Cristo aqui veio nos trazer inúmeras lições, dentre as quais a de que Deus é acima de tudo amor. Tal como em nós, imperfeitos pais terrenos, nada deixa o Pai Celestial mais feliz do que ver seus filhos vivendo em perfeita harmonia, amando-se uns aos outros.
Entretanto, nosso orgulho e nossa vaidade ainda eram muito grandes. Passados os primeiros momentos do movimento cristão, misturamos fé e poder, religião e política, criando instituições mais voltadas para si próprias que para o benefício geral. Apesar dos grandes êxitos alcançados por Francisco de Assis e Martinho Lutero, nem mesmo eles conseguiram corrigir de forma definitiva o movimento cristão. Isto porque a deturpação tinha origem no seu elemento fundamental, nós seres humanos.
Passados dezoito séculos da revelação cristã, surge a Doutrina Espírita, reforçando o conceito do Deus Pai, Amoroso e Bom, que nos criou para sermos felizes. O Espiritismo ainda explica que quando esta felicidade parece meio distante de nós, isto não acontece por interferência, vontade ou castigo divino, mas sim por conseqüência direta de nossos atos.
A Doutrina Espírita deixa claro que não basta simplesmente crer em Deus, nem mesmo tentar agradá-lo com oferendas, velas ou flores, para conseguirmos o que objetivamos. Não existe barganha ou negociata, Deus é o Criador e não um mercador.
O Pai Celestial espera que sigamos o que fora ensinado por Jesus e por muitos outros missionários por ele enviados: amar ao próximo como a si mesmo.
Pois bem, meus irmãos, os tempos passaram e agora não basta mais simplesmente não fazer o mal, é impositivo fazer o bem. Não basta mais apenas crer em Deus, temos que honrá-lo, demonstrar nosso amor ao Criador, amando nosso irmão, nosso próximo.
Aremos os campos estéreis de nossas mentes e corações, plantemos a semente divina do amor e do trabalho, e certamente, num futuro mais próximo do que sonhamos, colheremos os frutos maravilhosos para a ceia celestial, ganhando o direito de nos sentarmos ao lado do Criador.
O autor é Maj QEM e Diretor da CME.