Alçando Vôos Como as Borboletas


Jorge Pedreira de Cerqueira

Cz 5.851

Muitas pessoas confundem espiritualismo com espiritismo. Espiritualista é todo aquele que acredita na sobrevivência da alma após a morte, que acredita na individualidade espiritual do ser. A maioria das religiões do planeta é espiritualista, como, por exemplo: católicos romanos e ortodoxos, protestantes de todas as vertentes, budistas, judeus, maometanos, espíritas.

Dentre elas, algumas crêem, além da existência da vida espiritual após a morte, na preexistência da vida, isto é, na existência da vida espiritual antes do nascimento na carne, antes da encarnação. São as chamadas religiões espiritistas, que acreditam nas reencarnações sucessivas do homem para a evolução do espírito e no destino divino que aguarda toda criatura de Deus.

O Espiritismo chamado por alguns de Espiritismo Cristão, codificado por Allan Kardec a partir de mensagens mediúnicas recebidas de entidades elevadas do plano espiritual, estabelece e estuda a reencarnação como base da evolução do ser.

O Espiritismo é, por conseguinte, espiritualista e espiritista e considera que o mundo espiritual é o verdadeiro mundo, preexistente a tudo, e que o mundo material e grosseiro onde vivemos é uma circunstância particular destinada a facilitar a evolução dos seres através do aprendizado diante de provas e expiações. Fundamenta-se no Evangelho de Jesus, nosso Mestre Maior, para estabelecer a virtude e os caminhos da evolução. Ensina-nos que Deus igualou a todos pela dor, pois nenhum de seus filhos está livre de sofrer as conseqüências justas de suas ações, frente aos desígnios de amor e caridade apontados, por Jesus, como sendo o caminho da verdade e da vida.

Nenhum ser, por mais insignificante que seja aos olhos do mundo, há de permanecer preso ao sofrimento eterno, ou ligado aos ambientes pesados de dor e incompreensão. A todos está reservado o destino glorioso da espiritualidade superior. Imperativo, entretanto, viver, morrer, reviver, e tornar a morrer muitas vezes, em sucessivos mergulhos na carne e voltas ao plano do espírito. Necessário que, nessas idas e vindas, cada qual construa sua trajetória de aprendizado, de conhecimento e de experiência. A cada um foi dada a responsabilidade de construir seu destino, o que significa que ninguém poderá percorrer outro caminho que não seja o seu.

Para assegurar novas oportunidades de aprendizado e aquisição de valores, Deus concede aos homens o esquecimento do passado, proporcionando condições de refazerem ou retrabalharem aquilo que fizeram de mal. Sem o esquecimento do que fizeram ou do que foram em encarnações passadas, seria muito difícil a reconstrução de suas vidas, pois manter-se-iam prisioneiros de sensações, emoções e lembranças que fomentariam todo tipo de paixão inferior: ódio; inveja; ciúme; prepotência; orgulho; vingança. Como poderiam refazer seus caminhos se voltassem a identificar as mesmas circunstâncias desagradáveis do pretérito?

A reencarnação, como premissa do Espiritismo, é o grande consolo que a espiritualidade nos traz, induzindo-nos a colocar o ponto de vista de nossas ações na verdadeira pátria do homem, isto é, no Mundo Espiritual.

Jesus nos disse: "em verdade vos digo que não entrará no Reino dos Céus aquele que não nascer de novo". Disse ainda que seu reino não era deste mundo, que iria para preparar o lugar de todos nós, que nenhuma ovelha do Pai seria perdida e que, no futuro, todos estariam reunidos com Ele. Jesus nos mostrava a necessidade da reencarnação para o aperfeiçoamento do homem.

Os mensageiros da espiritualidade, em todos os tempos, estão trazendo testemunhos para os seres encarnados de todas as religiões. Diante de suas mensagens, observam-se posturas diversas: admiração, fé cega, fé raciocinada, fé com obras ou a incredulidade dos céticos. Mas em todos os casos o homem se preocupa e tenta explicar seu destino após a morte, único determinismo que ele não pode controlar. Muitos acreditam no nada e dedicam-se a viver intensamente cada instante suprindo suas necessidades imediatas de sobrevivência. Lutam, competem, disputam e só enxergam o lado material da vida, negando sua essência divina. Consideram as coisas da religião como mentiras, divagações ou filosofias que levam a lugar nenhum. Mas, mesmo assim, na luta do dia-a-dia, sofrem, aprendem, aperfeiçoam sua inteligência e seu conhecimento, evoluindo constantemente na direção de seu destino.

A verdade é uma só. Não importa o que pensamos ou sentimos. Diante da morte encontraremos a vida vibrando intensamente em todos os cantos do universo. Somos espíritos em evolução. Esta é a nossa natureza.

O Espiritismo nos foi trazido por entidades para nos orientar, consolar e aconselhar quanto à verdade da vida. É o consolador prometido por Jesus referido no Evangelho de João. Somos quais lagartas, preocupados em devorar o pé de couve para sobreviver, incapazes de observar a magnitude do universo à nossa volta. Vivemos à beira dos charcos, neste mundo de provas e expiações, sofrendo os golpes e as ventanias do destino que traçamos. Mas, no futuro, seremos capazes de sair do casulo e alçar vôos como as borboletas, observando o mundo de outra forma, adquirindo valores imperecíveis, necessários à felicidade do ser.

Que a imagem da borboleta, que se liberta do casulo após longo tempo de sono e de inconsciência, depois de ter vivido a se arrastar no lodo do mundo, possa servir de guia para o nosso ponto de vista. Que Jesus possa ser visto e compreendido como o Grande Mensageiro, concitando seus semelhantes à esperança e à fé, dizendo-nos que se antecipou a nós para preparar o caminho e o lugar, e, se naquele tempo ele vivia conosco, no futuro viveremos com Ele no plano espiritual.

 

O autor é Cel QMB R/1 e Vice-Presidente da CME.

 

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