Aprendendo com as Bem-aventuranças


Sebastião Nunes Cavassoni

Cz 5.731

"Bem-aventurados os que têm puro o coração, porque verão à Deus".

Jesus, o Mestre dos mestres, nesta Sua bem-aventurança, como em tudo que Ele exemplificou em Sua passagem por este nosso pobre reino, nos deixou muitas verdades sublimes e essenciais para nosso real progresso, como um feixe de raios refratados de um diamante sem jaça, brilhando no escuro da nossa ignorância das coisas divinas. O nosso aproveitamento dessas Suas bênçãos depende, entretanto, de já possuirmos "ouvidos para ouvir" capazes de nos permitir compreender que o que elas nos trazem é o antídoto para as impurezas dos nossos corações que representam o atraso imenso que tanto nos tem pesado, em nossa caminhada.

Cabe, então, a nós, que nos julgamos herdeiros da Verdade contida no Pentateuco da Codificação Espírita, estudá-la com dedicação e seriedade, para bem entendê-la e podermos estendê-la a todos os nossos companheiros de jornada, nos candidatando a instrumentos da Paz que Jesus nos deixou, utilizando a Luz dos seus ensinamentos.

O capítulo VIII de "O Evangelho Segundo o Espiritismo" que trata desta jóia da literatura cristã, cita no item 2 o versículo de Marcos que nos conta a passagem evangélica do encontro de Jesus com as crianças, entendendo-se que Ele, em face da perenidade de Seus ensinamentos, depois de mais de dois mil anos, continua a concitar a humanidade a purificar os corações para poder "ver a Deus". Hoje, quando a Sua Doutrina de Amor começa, graças ao Espiritismo, a reviver, maturando nossos Espíritos, ela nos traz a compreensão maior para as suas mensagens e aceitamos que realmente, num coração virgem como o de uma criança, limpo de vaidades e de toda impureza, sempre há lugar onde caiba um ensinamento de amor. Com a criatura formada, ao contrário, raramente, isto acontece e, para o aprendizado de qualquer noção nova, é necessário haver, previamente, a limpeza da mente e do coração para prevenir das idéias contrárias existentes, em latência muitas vezes, de forma a impedir a obstaculização e a negação apriorística do novo, antes de bem compreendê-lo.

Um canteiro de uma horta, cheio de ervas daninhas, não pode receber uma planta nova, porque vai prejudicá-la certamente. É necessário limpar, no mínimo, uma pequena área onde ela possa vicejar. E são raros os adultos, cujos corações não estejam inçados de "maus vegetais"! Somos, quase todos, velhos Espíritos com a alma marcada pelos inúmeros tropeços do passado, quando nossos corações se encheram de preconceitos, criados dos maus juízos que praticávamos.

Quando o Cristo disse que deixassem chegar a Ele as criancinhas, — é João Evangelista, o apóstolo predileto, que nos esclarece - Seu apelo  foi, na verdade, em favor daqueles de pouca luzes, "os fracos, os escravizados e os viciosos", e, hoje, como que se dirige aos espíritas, àqueles que já alcançaram a fé raciocinada, e têm como missão fundamental a de divulgar a Doutrina Espírita, praticando a "caridade real" na evangelização de todos "os tímidos e os débeis", salvando-os da "infância intelectual" que os fazem "mortos", dando-lhes as condições para que eles criem "ouvidos para ouvir" e assim possam também limpar seus corações.

 

O autor é Cel Art/R1.

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